O empreendedor contemporâneo

Por David Wilson Santos Oliveira | @dr.davidoliveira

“O analfabeto do século 21 não será aquele que não consegue ler e escrever, mas aquele que não consegue aprender, desaprender e reaprender”. Esta foi a frase que mais me impactou nos últimos 3 meses. É de autoria do escritor norte-americano Alvin Toffler (1928-2016).

Mesmo antes da pandemia, os diversos canais de comunicação chamavam a atenção sobre o empreendedorismo moderno. Ter apenas uma mente empreendedora não seria mais suficiente. O empresário precisaria aliar suas ideias arrojadas aos recursos tecnológicos disponíveis sob pena de ficar, literalmente, para trás no mercado.

Os formatos tradicionais de negócio estão ficando cada vez mais obsoletos. Não importa o nicho, você precisa aprender, ao menos de forma superficial, sobre o atendimento digital e a prospecção de clientes na internet, utilização de redes sociais no mundo corporativo e comercial, formas de marketing digital específico para seu negócio, inteligência artificial e outras tecnologias como blockchain e robotização.

Isso já é realidade há mais de cinco anos, contudo, nos últimos 12 meses esses recursos ampliaram-se ainda mais por conta da pandeia do COVID-19. É algo impositivo. Todo empreendedor deve adaptar-se as novas tecnologias!

Contudo, apenas a “cybertização” do negócio não é o suficiente para destacar-se. O mercado que conhecíamos foi transformado. Novos tipos de consumidores e novos perfis de clientes surgem todos os dias em um ritmo cada vez mais acelerado, todos eles reverberados pela pandemia.

Vivemos na era da comunicação digital, já não é mais suficiente fazer bem e melhor. É necessário se reinventar. Ser bom ou técnico no seu ramo de negócio é um pré-requisito essencial para a sobrevivência empresarial.

Ao mesmo tempo, o empreendedor, atento e desejoso de ter sucesso, também precisa dialogar com outras áreas ou ciências. Partindo dessa premissa, explicarei agora o porquê do impacto positivo que tive com a frase do Alvin Toffler.

Sou Advogado especialista em direito do consumidor e atuante em direito público. Durante todo o período da minha faculdade e após conseguir aprovação no exame da Ordem dos Advogados do Brasil, acreditava veementemente que bastava ter minha carteira de Advogado, montar um escritório bem estruturado, que surgiriam clientes na porta do meu escritório com muito dinheiro para me contratar.

Acreditava ainda que meus familiares e amigos iriam me indicar clientes e isso me faria ter sucesso na carreira. Pura ilusão! Os clientes não apareceram com maletas de dinheiro e as indicações que recebi de amigos e familiares não foram suficientes. Sabia que precisava de algo a mais para se destacar no mercado jurídico.

No mês de maio de 2020, quando a pandemia estava extremamente aflorada no Brasil, tive a oportunidade de conhecer o Marketing Jurídico. Nem sabia que isso era possível para minha área. Aprendi que essa ferramenta contribui efetivamente aos profissionais de direito, em quaisquer níveis de atuação, para a construção de reputação, aumento de visibilidade e, o mais importante, conversão de clientes. Entendi ainda, que meu escritório era o meu negócio e precisava ser gerido como uma empresa.

Era um mundo novo cheio de possibilidades ao meu alcance que, até então era desconhecido para mim. Por isso a frase me impactou tanto. Talvez, se não tivesse contato com o marketing jurídico estivesse enquadrado no conceito de analfabeto do século XXI, segundo Alvin Toffler.

O advogado e quaisquer outros empreendedores contemporâneos precisam ser bons gestores, empresários, psicólogos, economista, entender de marketing e comunicação etc. Novos tempos demandam novas habilidades.

Em que pese o atual momento do mercado, entendo que ele encontra-se com fartura e inúmeras oportunidades, mas só para aqueles que ousam mudar (aprender, desaprender e reaprender) fazer diferente.

Assim, é tempo de recomeçar e principalmente, se adaptar as mudanças. De ir além do serviço ou produto que você oferta. É tempo de ressignificação do papel do novo empreendedor na conjuntura vigente.


*Advogado especialista em Direito do Consumidor e Direito Público, e membro da J. Reuben Clark Law Society.

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